Você já ouviu dizer que toda pregação deve ser cristocêntrica — que Cristo deve estar no centro de cada mensagem? Mas o que isso significa na prática? E como fazer isso sem forçar o texto, sem alegorizar passagens, sem transformar cada história do Antigo Testamento em um pretexto para citar Jesus?

O Pr. John McAlister abordou exatamente essa questão em um vídeo especial gravado para o IBRMC. Neste artigo, reunimos os pontos centrais do seu ensino — o que é a pregação cristocêntrica, por que ela é bíblica e necessária, e como você pode aplicá-la com clareza e credibilidade na sua prática de ensino e pregação.

O Problema: Cristo nas Margens, Não no Centro

Muita pregação que ouvimos hoje coloca Cristo não no centro, mas às margens. Ele aparece como um adendo — mencionado brevemente no final da mensagem, como uma última exortação, mas ausente da interpretação central da passagem. O resultado? Sermões que são bíblicos, mas não cristãos.

É possível transmitir boas lições a partir das Escrituras e ainda assim esquecer d’Aquele que é o centro de todo o plano e propósito de Deus. Podemos ensinar morais, exemplos e princípios de vida — e ainda assim não pregar o evangelho.

Jesus não pode ser apenas um pressuposto implícito. Ele deve estar explicitamente presente no centro da nossa interpretação e pregação.

Por Que a Pregação Deve Ser Cristocêntrica?

Há uma razão bíblica clara para isso:

  • Jesus mesmo ensinou que toda a Escritura aponta para ele.
  • Em Lucas 24.25-27 e 44-48, ele instrui os discípulos a caminho de Emaús e depois os apóstolos: tudo em Moisés, nos Profetas e nos Salmos apontava para ele.
  • Em João 5, Jesus desafia as autoridades religiosas: “Examinais as Escrituras… e são elas que testificam de mim.”
  • Paulo, ao escrever aos Coríntios (1Co 2.2), declara que só queria saber de uma coisa: pregar Cristo, e este crucificado.

Há também uma razão pastoral: o povo não precisa apenas de bons exemplos e dicas de como praticar boas obras. O povo precisa de boas novas. E a boa nova não é o que você e eu podemos fazer para chegar ao céu — é que Cristo veio fazer por nós o que apenas ele poderia fazer, vivendo a vida que deveríamos e morrendo a morte que nos era devida.

O Que NÃO É Pregação Cristocêntrica

Antes de falar no como, é importante entender o que não é. Pregação cristocêntrica não significa:

  • Forçar o texto: fazer pontes obscuras e ilegítimas entre qualquer passagem e Jesus.
  • Alegorizar: espiritualizar cada pedra, cortina ou montanha como símbolo de Cristo, ignorando a historicidade do texto.
  • Fazer de Cristo o “último exemplo”: “Seja como Davi, não seja como Saul — e, ah, lembre-se de Jesus.” Isso não é suficiente.

Como Pregar de Forma Cristocêntrica: 3 Movimentos Práticos

1. Entenda o texto no seu contexto original

Não pule esta etapa. Antes de conectar qualquer texto a Cristo, entenda o texto dentro do seu contexto histórico, literário e cultural. Qual era a mensagem do autor para a sua primeira audiência? Esse passo é fundamental — é a partir daí que você saberá de onde partir para fazer a conexão com o evangelho.

2. Faça a ponte para Cristo com as ferramentas certas

Tendo entendido a grande ideia do texto, você pode seguir do texto para Cristo. Algumas ferramentas legítimas para isso:

  • Citações diretas no NT: quando o Novo Testamento cita o seu texto do AT e faz a ponte por você.
  • Temas teológicos: aliança, sacrifício, reino, perdão, salvação — quando presentes no texto, geram conexão legítima com o evangelho.
  • Tipos e sombras: personagens (Moisés, Melquisedeque), instituições (sacerdócio, sacrifícios), eventos (o Êxodo) que prefiguram Cristo.
  • Trajetória histórica: sucessão de eventos no AT que apontam progressivamente para a pessoa e obra de Jesus.

3. Aplique o texto passando por Cristo

A aplicação só vem depois — e sempre passa por Cristo. Não lemos a Bíblia primeiro como um livro sobre nós. Lemos como um livro sobre Cristo, para que nele e por meio dele possamos fazer as aplicações legítimas: o que crer, como viver, o que buscar. A santidade, as boas obras, a vida piedosa — tudo isso só é possível por meio de Jesus e para a glória dele.

Que Diferença Isso Faz?

Se não pregarmos Cristo, estamos pregando sermões bíblicos — mas não sermões cristãos. O que nos diferencia de um rabino que lê o Antigo Testamento como se Moisés fosse o fim da história? O que nos diferencia de pregadores de autoajuda e moralidade?

O ensino e a pregação nunca estarão completos se Cristo não estiver presente. E mais: ganhamos pessoas para Cristo — não para Moisés, Davi ou Abraão. É de Cristo que as pessoas precisam, sempre, quer já tenham crido no evangelho ou não.

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